Siga-Nos!


Assine a nossa

newsletter

Logo do Portal do Impacto

Indicadores: entenda o que está funcionando na sua ONG

5 de novembro de 2020

Quando ouvimos falar de indicadores, é comum a gente se pegar pensando no impacto que nossa organização está tendo no mundo e querer medir isso, e isso não está errado. Mas neste texto, queremos dar um passo para trás nessa conversa e trazê-la para dentro da organização. Acreditamos que o impacto é uma consequência de uma boa organização e que indicadores são grandes aliados para sabermos como a organização está funcionando.


O que são indicadores?


Existe toda uma literatura, além de conceitos formais (e muitas vezes complicados) para falar de indicadores. Só que se a gente for parar pra pensar de forma bem simples, indicadores são informações que você pode comparar ao longo do tempo. E entendendo isso, vemos que a maior parte das longas explicações e preparações a respeito de indicadores é para lhe ajudar a criar informações nas quais você confia e garantir que elas possam mesmo ser comparadas e analisadas ao longo do tempo, sem problemas.


Criando informações em que você confia


Costumamos preferir o formato de número porque é mais fácil de comparar, mas isso não invalida o uso de palavras e textos como indicadores. O importante é sabermos se podemos confiar no indicador, e para isso precisamos (1) saber se ele está de fato medindo o que queremos medir e (2) se ele está medindo corretamente.


Para saber se o indicador está de fato medindo o que você quer medir, você precisa definir o que você quer medir primeiro. Parece óbvio, mas nem todas as organizações têm a conversa sobre “que informação queremos e por quê”. Se você quer saber quantas cestas básicas foram entregues aos beneficiários, talvez a melhor informação seja quantos deles as receberam e não quantas pessoas doaram cestas.


Outro ponto crítico é medir a mesma coisa sempre para poder comparar. Retomando o exemplo anterior, se em um mês você mediu quantas famílias receberam cestas, no mês seguinte você não pode medir quantas pessoas receberam e contar vários membros da mesma família. Se você fizer isso, você vai estar comparando coisas diferentes e não vai conseguir chegar a uma conclusão correta.


O que medir?


Agora que deu pra entender melhor o quanto precisa ser pensado antes de começar a colher informações, você deve estar imaginando o tanto de coisa que dá pra medir. Sim, dá pra medir quase tudo! Mas será que você precisa? Não adianta você criar mil indicadores que ninguém vai usar. Vale muito mais ter um bom indicador no qual você confia e que você usa para ver como as coisas estão. Então hoje vamos te pedir para escolher apenas 1 indicador para focar. Se sua organização tem áreas de atuação bem definidas, pode escolher 1 indicador por equipe.


No final desta seção do texto tem uma lista que pode te ajudar a começar, mas se nenhum deles couber bem na sua organização ou equipe, fique à vontade para criar o seu. Ou, talvez, depois de um tempo usando um da lista, você comece a modificar aos poucos para se adequar à sua realidade.


Como quero trazer a conversa sobre indicadores para dentro das organizações, nesta lista focamos nossos exemplos em indicadores de gestão interna. Outra preocupação que tivemos foi de trazer exemplos de indicadores que contam uma história mais completa do que apenas a quantidade de algo. 


Eu, particularmente, acredito que é mais interessante saber a proporção de voluntários que retornam para fazer outras atividades na organização do que o número bruto de quantos voluntários fizeram algo, por exemplo. Mas, novamente, cada organização tem uma realidade e, mais importante, tem um motivo para escolher o indicador.


Gestão de Pessoas

  • Proporção de preenchimento de cargos: total de cargos existentes na organização/total de pessoas trabalhando na organização
  • Diferença entre salário oferecido pela organização e salário médio do mercado
  • Nível de satisfação com o trabalho
  • Rotatividade de funcionários.


Gestão de Voluntariado

  • Proporção de voluntários que retornam
  • Proporção de voluntários que se tornam doadores
  • Tempo médio de relacionamento com a organização
  • Quantidade de novos stakeholders trazidos por voluntários (pode ser um parceiro novo, um outro voluntário, um funcionário, etc.)


Gestão de Comunicação

  • Interação em redes sociais
  • Proporção de pessoas da lista de e-mails que abriram as mensagens enviadas
  • Número de artigos de imprensa publicados


Gestão de Doadores

  • Frequência de doações
  • Valor médio de doação


Gestão de Serviços

  • Proporção de beneficiários que concluíram o programa da organização em relação aos que entraram
  • Nível de satisfação com o programa
  • Número médio de dias necessários para responder aos beneficiários


Como medir?


Cada indicador tem uma forma de ser medido, mas alguns princípios são básicos para todos:

  1. Pesquisas costumam ter mais respostas quando as pessoas podem participar de forma anônima
  2. Defina claramente quem vai responder, o que vai ser respondido, quando, em que formato, para onde vão as respostas depois de preenchidas e quem vai ser responsável por colocá-las nesse local. Por exemplo, se você for coletar as horas que cada voluntário fez, você pode definir:
  3. Quem vai responder? Todos os voluntários
  4. O que vai ser respondido? Quantidade total de horas de serviço 
  5. Quando? Todo mês
  6. Em que formato? Formulário enviado para o e-mail
  7. Para onde vão as respostas depois de preenchidas? Para o e-mail do RH
  8. Quem vai ser responsável por colocá-las nesse local? O RH vai compilar todas as respostas e colocar em uma planilha específica
  9. Escolha o formato pensando em quem vai responder. Você pode inclusive perguntar diretamente aos participantes qual eles consideram ser a maneira mais fácil de responder à pesquisa. Pode ser no papel, e-mail, correio, entrevistas, etc. O seu papel é facilitar ao máximo para que a pessoa que precisa responder, seja beneficiário ou funcionário, não deixe de responder.
  10. Se você quiser saber opiniões ou informações mais subjetivas, é possível transformá-las em números. Por exemplo, ao invés de perguntar apenas “o que você achou do curso?”, você pode perguntar “escolhendo um número de 1 a 5, com 1 sendo fraco e 5 sendo ótimo, o que você achou do curso?”.


Indicadores são sementes


Saiba que o mais importante na hora de trabalhar com indicadores é ter paciência. Indicadores são como sementes: vamos plantando e, depois, esperamos brotar para começarmos a colher. Isso quer dizer que para poder usar os indicadores como informações que você pode comparar ao longo do tempo, você precisa medir ao longo do tempo (sim, tempo e paciência são as palavras-chaves aqui).


Num primeiro momento, você vai só coletar as informações. Vai coletando e guardando, como se estivesse plantando sementes. E você só vai começar a olhar pra elas depois de um tempo. Esse tempo vai depender do que você está medindo e com que frequência, mas vamos te dar uma ajudinha pra defini-lo.


Vamos voltar para a lista de indicadores, mas lembre-se sempre que mais importante do que seguir à risca o que está neste texto é adaptar isso à sua realidade e ao seu objetivo.


Gestão de Pessoas

  • Proporção de preenchimento de cargos: total de cargos existentes na organização/total de pessoas trabalhando na organização - Essa coleta pode ser feita trimestralmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em no mínimo 12 meses
  • Diferença entre salário oferecido pela organização e salário médio do mercado - Essa coleta pode ser feita uma ou duas vezes por ano, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 18 meses
  • Nível de satisfação com o trabalho - Essa coleta pode ser feita uma ou duas vezes por ano, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 18 meses
  • Rotatividade de funcionários - Essa coleta pode ser feita trimestralmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em no mínimo 12 meses


Gestão de Voluntariado

  • Proporção de voluntários que retornam - Essa coleta pode ser feita trimestralmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 12 meses
  • Proporção de voluntários que se tornam doadores - Pode ser feita uma ou duas vezes por ano, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 18 meses
  • Tempo médio de relacionamento com a organização - Essa coleta pode ser feita trimestralmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 12 meses
  • Quantidade de novos stakeholders trazidos por voluntários (pode ser uma parceria novo, um outro voluntário, um funcionário, etc) - Essa coleta pode ser feita uma ou duas vezes por ano, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 18 meses


Gestão de Comunicação

  • Interação em redes sociais - Essa coleta pode ser feita semanalmente ou mensalmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em no mínimo 3 meses
  • Proporção de pessoas da lista de e-mails que abriram a mensagem enviada - Essa coleta pode ser feita semanalmente ou mensalmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 3 meses
  • Número de artigos de imprensa publicados - Essa coleta pode ser feita uma ou duas vezes por ano, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 18 meses


Gestão de Doadores

  • Frequência de doações - Essa coleta pode ser feita trimestralmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 12 meses
  • Valor médio de doação - Essa coleta pode ser feita trimestralmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 12 meses


Gestão de Serviços

  • Proporção de beneficiários que concluíram o programa em relação aos que entraram  - Essa coleta deve ser feita sempre que um programa concluir (se a organização oferece cursos, sempre que um módulo terminar, por exemplo). Se você faz um módulo por trimestre, você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 12 meses
  • Nível de satisfação com programa - Essa coleta deve ser feita sempre que um programa concluir (se a organização oferece cursos, sempre que um módulo terminar, por exemplo). Se você faz um módulo por trimestre, você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 12 meses
  • Número médio de dias necessários para responder aos beneficiários - Essa coleta pode ser feita semanalmente ou mensalmente, e você vai começar a ter bons dados para comparar em, no mínimo, 3 meses


Os indicadores são uma maneira de monitorar não só como nossa organização atua no mundo, mas também como ela está por dentro. E o melhor é que nosso jeito de usá-los só depende (além dos nossos recursos) da nossa criatividade e curiosidade! 


Então conta pra gente: você achou algum indicador da nossa lista interessante pra começar a trabalhar? Ou, tem algum que você já use? Tem algum no qual você pensou quando viu nossa lista? Deixa nos comentários!


Por: Luiza Campos

Formada em Economia e com um MBA, trabalha com gestão de voluntariado há 5 anos. Cria conteúdo no movimento3.com com o objetivo de apoiar organizações e pessoas a se desenvolverem e se envolverem com o terceiro setor.

Linkedin | Medium


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Sara Dias 17 de fevereiro de 2025
Como o tema de saúde mental tem ressoado em sua organização social? 
Por Maria Cecilia Prates  6 de fevereiro de 2025
Há quatro anos (em 2020), Esther Duflo , uma das ganhadoras do prêmio Nobel d e Economia em 2019, participou do 10º evento internacional da XP Investimentos no Brasil. Participação à distância (por vídeo-entrevista), porém bastante interessante. Só relembrando, a razão do Prêmio Nobel em Economia ter sido concedido a Esther Duflo, juntamente com Abhijit Banerjee (seu marido) e Michael Kremer, foi a contribuição de suas pesquisas experimentais para atestarem a efetividade de políticas públicas para a redução da pobreza global. Conforme ela fez questão de ressaltar, com a premiação eles conseguiram evidenciar a importância dos “experimentos clínicos randomizados” (com grupos do experimento e grupos de controle) aplicados ao campo do desenvolvimento econômico e das políticas públicas. Duflo e seus companheiros do Nobel são ardorosos defensores do rigor metodológico para avaliar a efetividade das políticas públicas, para saber o que funciona e o que não funciona. São métodos baseados em técnicas estatísticas complexas e acessíveis apenas a iniciados, de longa maturação e muito onerosos. Para além das políticas e programas públicos, ter impacto social tornou-se atualmente um pré-requisito obrigatório. Tudo deve ter impacto benéfico (social ou ambiental) para justificar a sua razão de existir: são os projetos de impacto, as ongs de impacto, os investimentos de impacto, as empresas de impacto, e por aí vai…. Daí pergunto: Se medir impacto implica em métodos tão complexos e caros, como avaliar o impacto social e ambiental das iniciativas conduzidas por cada ONG ou empresa? Uma vez que recursos estão sendo desembolsados com a finalidade explicitada de ter impacto social, então é mandatório verificar se os resultados pretendidos foram realmente atingidos. Ainda mais tendo em vista a nossa realidade atual, tão cheia de problemas de pobreza, injustiças, desequilíbrios e sofrimentos de toda ordem. Pois boas intenções não bastam; ou melhor, mudar o discurso, mas continuar atuando como sempre. É uma questão ética cumprir o que se promete. Mas, devemos ter clareza de que pouquíssimas iniciativas comportam avaliação de impacto, segundo o rigor metodológico experimental preconizado por Duflo. Para começar, é preciso que sejam iniciativas de grande porte e com amplo raio de influência, que justifique uma avaliação de impacto comme il faut; e também com bastante recursos disponíveis para financiar essa avaliação. Por outro lado, avaliar impacto de forma pouco criteriosa não transmite a confiabilidade demandada pelos s takeholders envolvidos, não consegue ser ferramenta de gestão útil, além de representar desperdício de tempo e recursos. Então, como sair desse dilema? Como se vê, estamos frente ao seguinte imbróglio: hoje em dia quase todas as organizações, lucrativas ou não, dizem operar com impacto. Porém, a medição correta do impacto é tão complexa e onerosa que tem se mostrado acessível a pouquíssimas instituições, normalmente do setor público e organismos internacionais. Ao final de sua entrevista nesse evento da XP, Esther Duflo deu a sua orientação. Sim, é preciso ser rigoroso e disciplinado para medir os impactos de estratégias que são inovadoras . Uma vez já testados e comprovados os impactos dessas estratégias (ou dessas teorias de mudança), elas passam a fazer parte de um “ portfólio de bons projetos ”, que poderão ser implementados por outras organizações. Então, quando a estratégia for replicada, não haverá mais a necessidade de testar o seu impacto, pois já foi medido. Dou aqui um exemplo. Suponha uma nova estratégia de alfabetização de adultos. Digamos que essa nova estratégia foi aplicada em 10 municípios. Ao final de 5 anos, foi feita a avaliação experimental de impacto com todo o rigor estatístico e, concluiu-se que houve aumento significativo na fluência de leitura dos adultos alfabetizados pelo novo método quando comparado com aqueles alfabetizados pelo método antigo. Com isso, o novo método de alfabetização ganha status de tecnologia social, e passa a compor o “ portfolio de bons projetos ”. Assim, quando uma determinada organização social for executar o projeto em uma outra região, já sabe de antemão que o método é efetivo para a alfabetização de adultos. Será necessário (apenas) avaliar a implementação do projeto, se ela seguiu à risca os procedimentos do novo método. Do que disse Duflo, a efetividade da teoria da mudança (ou da estratégia) precisa ser inicialmente confirmada com todo o rigor estatístico da pesquisa experimental. Mas, uma vez comprovada, daí para frente o que conta é a boa qualidade da implementação. De fato, faz todo o sentido. O que não faz sentido, e costuma ocorrer com bastante frequência, é ver financiadores de iniciativas de impacto social e ambiental exigirem sempre medições de impacto toda vez que uma (mesma) teoria da mudança for aplicada. 
Por Diego Baptista 30 de janeiro de 2025
O termo trauma causa espanto para muita gente, mas está cada vez mais sendo tratado de forma científica e estratégica no campo de impacto social também. Uma pesquisa da The Well Being Project e a George Washington University em parceria com o Collective Change Lab chamada “Ciclos de trauma e a jornada para o bem-estar” investiga o efeito dos traumas nas pessoas que trabalham no setor do impacto e também como aparecem nos diversos desafios, causas, problemas e potenciais soluções. De acordo com o relatório: “O trauma está em toda parte – em nossas casas, comunidades, instituições e sistemas. No trabalho de mudança social, também vemos traumas nas raízes dos maiores desafios que o mundo enfrenta hoje – e nas vidas das pessoas que trabalham para enfrentá-los. Abordagens de mudança social baseadas no trauma têm o poder de ajudar a desbloquear a cura, o bem-estar e a transformação social para todos.” Esse artigo traz alguns passos para que as pessoas que trabalham com impacto possam reconhecer em si mesmas, em seus times, organizações e principalmente nos seus públicos atendidos a sabedoria dos traumas como parte das causas dos problemas e soluções que buscam resolver. Compreender os traumas no campo de impacto pode informar estratégias para a transformação social nos ajudando a lidar com a complexidade de que traumas são também de origem histórica e coletiva. Ao ponto que ao não serem identificados e integrados, continuam a causar a estagnação dos problemas que vivenciamos hoje. Primeiro passo: identificar e reconhecer os diferentes tipos de traumas Para começarmos a nos informar sobre os traumas nas causas que atuamos é importante identificar os diferentes tipos de traumas e a forma como se interrelacionam, de acordo com o artigo Healing Systems da Stanford Social Innovation Review: Trauma individual se refere a uma ferida invisível causada por um evento avassalador, série de eventos ou condições duradouras. Trauma intergeracional ocorre quando um ou mais ancestrais passam adiante traumas não curados que vivenciaram antes de terem filhos ou durante a gravidez. Trauma coletivo descreve o impacto em nível populacional de um evento ou processo catastrófico que interrompe as estruturas que uma comunidade ou sociedade criou para sustentar seu modo de vida. Trauma histórico pode ser coletivo e intergeracional por natureza, mas se refere especificamente a danos intencionais e opressão cometidos contra um grupo de pessoas por causa de características como raça, religião ou identidade nacional, social ou sexual, e visa subjugá-los para ganho. Trauma sistêmico inclui os impactos não abordados de traumas individuais, intergeracionais, coletivos e históricos, bem como traumas recentes criados por estruturas sistêmicas e dinâmicas relacionais prejudiciais dos dias atuais. Segundo passo: compreender os padrões individuais e coletivos de reação aos traumas Os traumas que carregamos influenciam a maneira como interpretamos e respondemos ao mundo, tanto nos desafios diários quanto nas próprias soluções que desenhamos. Perceber os efeitos dos traumas nas pessoas, nas relações entre grupos, nas estruturas sociais, políticas, econômicas e nos padrões repetidos dos sistemas pode nos ajudar a encontrar soluções mais transformadoras para as causas que atuamos e para o nosso próprio desenvolvimento como lideranças da transformação social. Respostas de luta: comportamento hipervigilante, agressivo e controlador, incluindo críticas excessivamente duras, reações exageradas a infrações menores, condenação implacável de erros como falhas de caráter, retenção de informações e desconfiança crônica e injustificada; Respostas de fuga: fragmentação, confusão e desorganização, não reconhecimento de uma realidade avassaladora, minimização de consequências e incoerência entre palavras e ações; Respostas de congelamento: paralisia, dissociação, retraimento, dormência, insensibilidade, vontade imobilizada, sensação de vazio ou desconexão e incapacidade de acessar emoções. Terceiro passo: desenhar e facilitar práticas de cura individual e coletiva Para transformar sistemas sociais de maneira eficaz, é fundamental aplicar uma abordagem que considere os traumas subjacentes que perpetuam os problemas. Isso envolve adotar uma perspectiva centrada na cura, que busca conectar a sociedade à nossa humanidade compartilhada e liberar nosso potencial criativo para enfrentar questões sociais e ambientais. Ao criar espaços propícios para a cura, podemos transformar sistemas traumatizados em ambientes de compaixão e cuidado, reparando relacionamentos e promovendo um fluxo saudável de ideias. A cura coletiva, que enfatiza o poder dos relacionamentos, permite que indivíduos e grupos identifiquem e tratem danos causados a si mesmos e aos outros. Essa abordagem transforma a energia destrutiva do trauma em maior consciência e compaixão, incentivando a colaboração e a inovação nas práticas sociais. Líderes de mudança social frequentemente se inspiram em tradições indígenas e práticas de justiça restaurativa, utilizando essas sabedorias para integrar a cura coletiva em seus esforços de transformação de sistemas, promovendo assim uma mudança mais significativa e duradoura. Algumas práticas que podem ser adotadas: Honrar e acolher as tradições culturais, identidades e línguas de todas as pessoas afetadas ou participantes de processos de mudança social Introduzir práticas corporais como dança, canto, meditação em grupo e trabalho somático para ajudar os participantes a se reconectarem com sua fisicalidade e regular seus sistemas nervosos Práticas horizontais e relacionais, como círculos de cura, que incentivam a escuta empática e reduzem desequilíbrios de poder Incluindo atenção plena ou outras práticas de cultivo da consciência para fortalecer a consciência das pessoas e a capacidade de hospedar seus próprios estados ativados e os dos outros Reconectar-se à natureza e seu poder de cura como parte fundamental do processo Entrar no poder de contar e possuir a própria história e testemunhar as histórias dos outros Imbuir o processo com sacralidade por meio de rituais, como fazer uma bênção tradicional, ler um texto ou poema espiritual, reconhecer ancestrais e gerações anteriores ou compartilhar lendas tradicionais ou histórias. Grupos de indivíduos que se envolvem intencionalmente em um processo de cura coletiva buscam reparar relacionamentos, restaurar conexões e aprofundar sua capacidade de se manterem conectados a si mesmos e uns aos outros, mesmo em momentos de ativação emocional. Esses núcleos de restauração e reparo têm um impacto que se irradia para fora, influenciando as relações pessoais, as organizações e as coalizões, além dos movimentos mais amplos dos quais os membros do grupo fazem parte. Para a saúde mental e o bem estar florescerem de maneira sustentável, precisamos normalizar a conversa e o trabalho sobre traumas, reconhecendo como fontes de sabedoria e transformação que podem trazer um novo potencial para as lideranças sociais, assim como novas soluções para as estratégias de impacto e a relação com beneficiários e parcerias. Referências: https://www.intergenerational-trauma.com/ https://ssir.org/articles/entry/healing-trauma-systems CYCLES OF TRAUMA AND THE JOURNEY TO WELLBEING: A Framework For Trauma Informed Practices & Positive Social Change. Executive Summary & Part I: Why Does Trauma Matter for Wellbeing and Social Change?
Por Instituto Phomenta 28 de janeiro de 2025
Em 2025, as mudanças climáticas pautarão ainda mais o Terceiro Setor. Seus impactos afetam diretamente comunidades vulneráveis, economias locais e projetos sociais. Durante o webinar Futuro em Foco: Tendências de 2025 para o Terceiro Setor, integrantes da Phomenta destacaram como as ONGs podem atuar para contribuir no enfrentamento à crise global enquanto promovem sua própria sustentabilidade. Como as mudanças climáticas afetam as comunidades vulneráveis De acordo com o estudo realizado pelo braço de pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 2020 e 2023, registramos uma média anual de 4.077 desastres relacionados ao clima no Brasil, quase o dobro em comparação às duas décadas anteriores. Enchentes como as registradas no Rio Grande do Sul em 2024 ou secas prolongadas em regiões do Nordeste brasileiro evidenciam o desequilíbrio ambiental que afeta principalmente populações mais pobres. O conceito de justiça climática é central nesse debate. Ele propõe que os custos das mudanças climáticas e as ações de adaptação sejam distribuídos de forma justa, priorizando quem mais sofre com os impactos. Porém, segundo a pesquisa Justiça Climática no Brasil , da PwC e o Instituto Locomotiva, apenas 32% dos brasileiros estão familiarizados com o termo, embora 75% reconheçam sua importância quando explicados. Isso reforça o papel das ONGs na educação e mobilização da sociedade, uma das oportunidades para o Terceiro Setor em 2025. Por que ONGs devem priorizar as mudanças climáticas em 2025 As mudanças climáticas influenciam diretamente os planos de atuação e captação de recursos das ONGs. O aumento de desastres naturais não apenas amplia a demanda por ações emergenciais, mas também exige que as organizações adaptem suas práticas e desenvolvam soluções sustentáveis. Leia mais: https://www.portaldoimpacto.com/7-ongs-e-movimentos-que-pautam-justica-climatica-para-conhecer Essa preparação inclui repensar projetos e direcioná-los para as populações mais vulneráveis. Por exemplo, uma ONG que trabalha com segurança alimentar pode incorporar ações para apoiar agricultores familiares afetados por secas ou enchentes. Já organizações que atuam com habitação popular podem focar em soluções de moradia resiliente para eventos climáticos extremos. Tendências e oportunidades para as ONGs em 2025 Captação de recursos alinhada à sustentabilidade: Com o aumento do interesse corporativo em práticas ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa), muitas empresas estão buscando apoiar projetos sustentáveis. ONGs que apresentarem propostas bem estruturadas e transparentes têm grandes chances de atrair financiamento. Educação e conscientização ambiental: A falta de conhecimento sobre os impactos das mudanças climáticas é uma barreira, mas também uma oportunidade. Campanhas educativas podem sensibilizar mais pessoas sobre a importância de ações climáticas e engajar novos apoiadores. Participação na COP30: A Conferência do Clima, que será realizada em Belém do Pará, será uma vitrine global para destacar soluções climáticas locais e reforçar o papel do Brasil na agenda ambiental. ONGs podem aproveitar o evento para ganhar visibilidade, ter novas ideias e estabelecer parcerias. Uso de ferramentas tecnológicas: Plataformas como o Radar de Editais ( https://www.portaldoimpacto.com/radar-de-editais ) ajudam ONGs a encontrar oportunidades de financiamento para projetos relacionados à sustentabilidade. Além disso, tecnologias como sistemas de monitoramento climático podem ser incorporadas em ações locais. As mudanças climáticas representam um desafio sem precedentes, mas também uma oportunidade para as ONGs liderarem ações inovadoras. Com estratégias, parcerias e educação ambiental, é possível não apenas mitigar os efeitos das crises climáticas, mas também promover justiça social e ambiental. Confira o Webinar na íntegra para saber mais sobre o assunto
Por Instituto Phomenta 21 de janeiro de 2025
O que o futuro reserva para o financeiro das ONGs? Sabemos que essa é uma pergunta que afeta integrantes do Terceiro Setor em todo início de ano, e foi um dos temas que norteou o webinar Futuro em Foco: Tendências de 2025 para o Terceiro Setor , promovido pela Phomenta em dezembro de 2024. Durante o evento, profissionais da Phomenta trouxeram dados sobre o cenário que se espera para as organizações no próximo ano, além de comentar caminhos para enfrentar a competição por recursos e fortalecer a sustentabilidade das organizações. Um cenário de ajustes e adaptações Os números apresentados no webinar destacaram o aumento do interesse em práticas ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) entre empresas, mas também revelaram um dado preocupante: 62% dos investidores sociais preveem reduzir seus aportes em 2025, de acordo com o Relatório BISC 2024. Isso evidencia um cenário desafiador para as ONGs, que precisarão diversificar fontes de financiamento e buscar novas formas de engajamento com doadores. Paralelamente, o uso de leis de incentivo foi apontado como uma alternativa cada vez mais relevante. As ONGs que conseguem estruturar projetos consistentes e alinhados aos requisitos legais têm atraído investidores interessados nos benefícios fiscais. Confira o Webinar na íntegra:
Por Instituto Phomenta 13 de janeiro de 2025
A Inteligência Artificial (IA) tem impactado profundamente diferentes áreas da sociedade, e sua aplicação no campo social não é exceção. Para as ONGs, essa tecnologia pode oferecer oportunidades de otimizar processos, ampliar alcance e gerar maior impacto em suas causas, mas também apresenta desafios que precisam ser abordados com ética e responsabilidade. O que é a Inteligência Artificial e como ela pode ajudar as ONGs? A IA é um ramo da tecnologia que simula capacidades humanas como aprendizado, tomada de decisão e reconhecimento de padrões. No contexto das ONGs, isso significa ferramentas que podem automatizar tarefas, analisar grandes volumes de dados e melhorar a eficiência operacional. Além disso, sistemas de IA podem ser adaptados para atender pessoas com deficiências, ampliando o alcance das organizações e tornando suas ações mais inclusivas. Leia mais: https://www.portaldoimpacto.com/inteligencia-artificial-e-seu-potencial-para-as-ongs-parte-1-4 E na prática? Algumas ONGs já fazem uso destas ferramentas através de: Chatbots: Os chatbots são programas de computador que simulam uma conversa humana, oferecendo respostas automáticas e personalizadas. Eles podem ser usados para facilitar a comunicação, como no atendimento a dúvidas frequentes de beneficiários ou doadores, reduzindo custos e otimizando o tempo da equipe. Análise de dados: A Inteligência Artificial pode identificar padrões em campanhas de doação, prever demandas futuras e melhorar a alocação de recursos. Campanhas personalizadas: ONGs podem usar IA para segmentar públicos e criar mensagens mais efetivas, aumentando o engajamento com a causa. Em 2025, espera-se que essas inteligências sejam ainda mais utilizadas. O assunto foi discutido no Webinar Futuro em Foco, da Phomenta, que buscava apresentar as principais tendências para Terceiro Setor. Confira abaixo:
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo
Share by: