Siga-Nos!


Assine a nossa

newsletter

Logo do Portal do Impacto

Captação de recursos com indivíduos - Parte 3/3

16 de dezembro de 2022

Este conteúdo foi produzido por Pedro Sá


Estamos chegando ao final do ano e com ele também chega ao final nossa série de artigos sobre captação de recursos com indivíduos. Preciso trazer alguns questionamentos pertinentes: até aqui, como você tem avaliado essas perspectivas de captação com indivíduos? Os artigos anteriores te fizeram refletir sobre como funciona o processo e como você pode, com seu time, definir o que mais se adéqua à sua OSC?


Neste artigo vamos tratar da última parte, as estratégias de captação de recursos! Você já tem em mãos os
tipos de doação: pontuais e recorrentes. Já sabe quais tipos de abordagem pode escolher. Agora é hora de entender qual a estratégia mais assertiva para sua organização.


Preparados?


1) Apadrinhamento


A advogada Flávia Ortega, em seu artigo Nova Lei 13.509/2017 dispõe sobre o programa de apadrinhamento, exemplifica muito bem o que é o apadrinhamento, que “consiste em estabelecer e proporcionar à criança e ao adolescente vínculos externos à instituição para fins de convivência familiar e comunitária e colaboração com o seu desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, cognitivo, educacional e financeiro”. 


Qualquer organização pode utilizar essa estratégia de captação de recursos, principalmente as que atendem diretamente a infância e adolescência e são configuradas como abrigos institucionais. De fato, como seria esse apadrinhamento? Eles podem se configurar como: Afetivo, financeiro, prestador de serviço ou doação de material. No texto “
O que é apadrinhamento?” você pode entender de que formas esses apadrinhamentos podem atender aos seus beneficiários e à sua instituição.


A forma mais comum e que muitas organizações adotam é o apadrinhamento financeiro. A ChildFund Brasil explica no seu texto “
Apadrinhamento financeiro: o que é e como funciona” que o apadrinhamento financeiro é uma forma de doação mensal que visa financiar os projetos sociais que atendem o afilhado ou a afilhada de sua escolha.


O funcionamento e o processo de apadrinhamento é peculiar de cada organização, mas há princípios que precisam ser levado em conta como a transparência das ações entre OSC-beneficiário, comunicação assertiva entre padrinhos e OSC, prestação de contas e monitoramento e intermediação das interações afetivas e sociais entre padrinho e afilhado, assegurando que os direitos da criança sejam garantidos.


2) Nota fiscal


O principal propósito desses programa fiscal na maioria dos estados em que existe estabelecido é “o de conscientizar a população sobre a importância de pedir notas fiscais e estimular a participação de todos no controle e na aplicação de recursos públicos através de uma iniciativa que sorteia prêmios e ajuda instituições”. 


E por falar em instituição, cada uma pode fazer o relatório social, no qual apresenta como está aplicando os recursos arrecadados no programa para que seus apoiadores acompanhem o trabalho. O objetivo desse relatório é gerar mais simpatizantes com cada projeto, e assim cada instituição poderá ter mais indicações.


No texto escrito por nossa responsável pelo editorial do Portal do Impacto, Daiany França, o “
Por dentro do Programa Nota Fiscal Paulista” há um passo a passo super importante para quem lê este artigo do estado de São Paulo. Paralelamente também deixo para quem me lê do estado do Ceará, detalhes sobre o programa Sua Nota Tem Valor: saiba como participar, concorrer a prêmios e ajudar a quem precisa. 


3) Heranças


As heranças são formas de estratégia de doação pouco comuns e muitas vezes problemáticas. Isso porque temos duas configurações de doação de bens, a feita em vida que é muito mais simples e gera menos problema, e a feita após o doador morrer, registrada em testamento. A doação feita após a morte do doador por meio de testamento pode ser complexa pelos seguintes pontos:


  • A herança doada post mortem, conforme a lei, só pode ser doada até 50% do total, caso o falecido tenha deixado uma família (ascendente, descendente ou cônjuge).
  • Existe um imposto que tributa esse tipo de doação, Trata-se do ITCMD (Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação), no artigo Tributação de doação: barreira para a solidariedade, você pode entender mais como funciona.


As doações de heranças em vida se constituem uma forma mais fácil e menos burocrática, vide o exemplo Giving Pledge, que um grande movimento de pessoas com muita visibilidade e muito dinheiro que se refere a pactos firmados publicamente por essas pessoas que se comprometem a doar parte de suas heranças e fortunas ainda em vida. 


Esse processo compete a cada um que se coloca como parte do movimento e possui suas próprias diretrizes sobre quem e como doar. É também um novo perfil de doador que surge, que é a geração Z. No artigo “
A nova geração de doadores” falo um pouco desse perfil e recomendo a leitura.


4) Crowdfunding (vaquinha)

O Crowdfunding, pela própria origem do nome, se constitui na estratégia que mobiliza recursos de muitas pessoas por meio de campanhas, principalmente onlines. Crowdfunding é o financiamento de uma iniciativa a partir da colaboração de um grupo (pode ser pequeno ou muito grande) de pessoas que investem recursos financeiros nela. Se você pegar essa definição, a vaquinha também se encaixa.



5) Arredondamento de compras



Na prática, ao comprar um produto ou serviço, como um remédio na farmácia, um curso on-line ou uma passagem aérea, um indivíduo pode escolher arredondar sua compra e assim doar os “centavos” a mais para uma OSC ou causa. A soma dos centavos vira milhares de reais, que fazem MUITA diferença para inúmeras organizações (e nós sabemos o quanto, hein!).


A ideia é simples: inspirar pessoas a fazerem pequenas doações, dentro de sua rotina de compras. “Se uma conta que deu R$ 17,80, por exemplo, arredonda para R$ 18 e os R$ 0,20 são destinados para apoiar uma causa.”  As micro doações também impactaram a vida de mais de 2 milhões de pessoas nas cerca de 15 transações registradas por minuto, em 2019. Tudo isso graças a uma enorme cadeia de marcas que “vestiram a camisa” e treinaram seus funcionários para entusiasmar os clientes.


Explicamos mais sobre essa estratégia neste Guia.


6) Cofrinho


Algumas formas de captação evoluem com o tempo. Ao olhar para o arredondamento de compras, vejo muito claro que pode ter sido uma combinação de várias experiências de doações, incluindo o “Cofrinho”.

Um jeito de arrecadar recursos à moda antiga, por meio da conhecida “caixinha sapato”, o cofrinho ainda pode ser uma alternativa para OSCs, sobretudo as de pequeno porte financeiro.


Leia também: O poder das microdoações


7) Campanhas anuais (ex: Dia de Doar)


O foco dessa estratégia é desenhar e fortalecer uma campanha para que ela seja executada anualmente e consiga se estabelecer como marca da organização.


Existem hoje muitas campanhas anuais nacionalmente conhecidas como o Criança Esperança que apoiado pela Rede Globo e organizado em parceria com a UNICEF e UNESCO, e também o Teleton que é apoiado pelo SBT e beneficia as atividades da AACD, que atua com pessoas com deficiência. 


Existe um movimento mais novo e que todas as organizações podem aderir que se chama Dia de Doar. O movimento do Dia de Doar vem na sequência de datas comerciais já conhecidas e consolidadas como a Black Friday e a Cyber Monday. 


A ideia do Dia de Doar é promover e difundir a cultura da doação no Brasil e em outros países. De 2013 para cá, o movimento cresceu de forma exponencial e hoje conta com 85 países signatários do movimento. 


Sobre o que é o dia de doar leia: Dia de Doar - Dia internacional para promover a cultura da doação


Sobre dicas de ações para o Dia de doar, segue: Reta final para o Dia de Doar no Brasil e no mundo


Apresentadas as estratégias, avalie com o time da sua organização quais são factíveis, viáveis e que trarão boas possibilidades de retorno. Defina quais tipos de abordagens serão implementadas ou melhoradas e saiba quando escolher por campanhas de doações pontuais ou recorrentes. O planejamento é essencial para que o caminho seja trilhado com menos percalços!


Contem conosco, um feliz natal e boas festas!




Pedro Sá é graduado em Gestão Desportiva e de Lazer pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), possui uma história no setor social desde os 15 anos e, como profissional, já atuou na administração pública e privada; hoje atua como consultor independente em gestão de projetos de impacto e captação de recursos.


Contato: prolazerconsult@gmail.com


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Maria Cecília Prates 4 de abril de 2025
Uma boa pergunta é sempre um motivo para reflexão. Como a pergunta que me foi feita uma certa vez pela diretora de uma ONG: “ na sua opinião, o que caracteriza um bom processo de Monitoramento & Avaliação (M&A) de projetos sociais? ” Ela me pediu para responder em poucas palavras.  Tomando por base o referencial da Teoria da Mudança ou do Marco Lógico , somos tentados a dar a resposta tradicional: um bom M & A é aquele que nos permite verificar se o que foi planejado, tanto em termos de processo e resultado, está ocorrendo e/ou ocorreu de fato. E, com isto, nos permite fazer as correções de rota necessárias, tanto “durante” quanto “depois” da iniciativa social. Mas, um bom M & A deve ir além, de modo a evitar o sério risco de cair na armadilha do planejamento . A ´ armadilha do planejamento ` é quando o plano inicial é visto como a situação ideal a ser atingida. Decorrem, daí, as definições para sucesso e fracasso. Sucesso é quando são alcançadas boa parte das metas previamente traçadas; já o fracasso é quando boa parte delas não são alcançadas. E se o plano inicial não se mostrar correto, mesmo tendo sido construído de forma participativa, com objetivos claros, bons indicadores e análise consistente do contexto social? Ou ainda, se com o desenrolar da intervenção, aquele plano for se tornando inadequado frente às novas circunstâncias que forem surgindo? Aliás, situação bem plausível, tendo em vista a realidade tão dinâmica em que vivemos atualmente. O plano não pode acabar funcionando como uma camisa de força para o projeto. Me fez lembrar a frase dita pelo ex-presidente americano Dwight Eisenhower, quando comandou o ´Dia D` da Segunda Guerra Mundial, “ Antes da batalha, o planejamento é tudo. Assim que começa o tiroteio, planos são inúteis ”. O ponto central é que planejar é fundamental, mas não podemos ficar prisioneiros do plano. Então, voltando aqui à pergunta inicial: O que caracteriza um bom processo de Monitoramento & Avaliação? Em poucas palavras: Um bom processo de M&A é aquele que serve como uma bússola para guiar os gestores do projeto. Sem dúvida, o pressuposto é o de que o planejamento tenha sido bem-feito, e há clareza de onde se quer chegar. E por que a comparação com a bússola? O processo de monitoramento e avaliação deve funcionar como uma bússola (para guiar o avião) no sentido de ser útil para orientar os gestores de uma dada intervenção se eles estão indo na direção correta. Então, o M & A vai indicar se estamos fazendo / fizemos a coisa certa, da maneira certa, de modo a potencializar os resultados pretendidos, tendo em vista os recursos disponíveis (financeiros, humanos, experiências, aprendizados e parcerias). O interessante da bússola é justamente a sua capacidade em ir se adaptando ao percurso, até chegarmos ao destino final. Tal como a bússola, também um bom Monitoramento & Avaliação deve ser percebido como um processo dinâmico, e não como um sistema estático de indicadores, não raras vezes com a exigência de métodos complexos para a sua estimativa.
Por Pollyana Bonvecchi 27 de março de 2025
Recentemente, montei uma estrutura para conduzir um processo seletivo de voluntárias aqui na Phomenta. Algumas pessoas me perguntaram por que eu estava desenvolvendo etapas que deixariam o processo mais complexo e se eu não tinha receio de que as pessoas desistissem devido à complexidade. Vou compartilhar o que respondi, explicar a importância dessa estrutura e como conseguimos atrair e manter perto de nós as pessoas que realmente querem contribuir. Por que desenhar um processo seletivo estruturado para voluntárias? Desenhar um processo seletivo com etapas claras e bem definidas é essencial para assegurar que as candidatas se comprometam verdadeiramente com cada fase e reflitam se o voluntariado faz sentido para elas. Esse tipo de processo não é apenas uma forma de selecionar os melhores talentos, mas também de verificar se aquelas que se juntam a nós compartilham dos nossos valores e estão alinhadas com o nosso propósito. Um processo seletivo mais detalhado permite identificar quem está realmente disposta a se envolver e quem está apenas explorando uma oportunidade. Divulgação da vaga Para começar, definimos claramente os papéis e responsabilidades, além do tempo de dedicação esperado para as voluntárias. Tudo isso foi explicitado na divulgação da vaga, para que, desde o início, as expectativas estivessem claras para as interessadas. Primeira etapa - triagem de candidatas Após receber as inscrições, realizamos uma triagem criteriosa, avaliando as competências e habilidades das candidatas. Selecionamos aquelas que mais se alinhavam com o perfil que buscávamos e enviamos um e-mail informando sobre as próximas etapas do processo. Segunda etapa - entrega e dinâmica de grupo Nesta etapa, solicitamos uma tarefa prática e informamos que haveria uma dinâmica em grupo. Esse momento foi crucial para observar o comprometimento das candidatas e, como esperado, algumas pessoas desistiram. Isso, no entanto, deixou apenas aquelas que estavam realmente interessadas em seguir adiante e que tinham um verdadeiro desejo de contribuir. Terceira etapa - Seleção final Com base nas etapas anteriores, escolhemos as candidatas que melhor atenderam aos critérios e que demonstraram maior afinidade com a cultura da Phomenta. Em seguida, comunicamos as selecionadas e agendamos da integração para integrar aquelas que iriam começar conosco. Integração A integração na Phomenta é muito mais do que uma simples introdução. É o momento propositivo para apresentarmos o propósito da nossa organização e garantir que todas estejam na mesma sintonia, super motivadas a alcançar os nossos objetivos. Quando nossas voluntárias entendem o impacto social que o seu trabalho pode gerar, o engajamento cresce e o compromisso fica mais forte. Assim como toda nova integrante de um time, as voluntárias precisam mergulhar na nossa cultura organizacional. A integração é uma oportunidade para elas se familiarizarem com características fundamentais da nossa cultura dentro da Phomenta: como nos comunicamos, como trabalhamos, e quais comportamentos valorizamos. Isso facilita a adaptação e ajuda as voluntárias a se sentirem parte do nosso grupo desde o primeiro dia! Durante a integração, é essencial esclarecer o que esperamos de cada uma, desde funções e responsabilidades específicas até o impacto que seu trabalho terá. Essa clareza evita confusões e permite que as voluntárias saibam exatamente como podem brilhar e fazer a diferença. Uma integração bem-planejada faz toda a diferença! Ela aumenta o comprometimento das voluntárias e ajuda a reduzir a rotatividade. Quando elas se sentem acolhidas, bem-informadas e preparadas, é muito provável que continuem engajadas e contribuam com a gente por um bom tempo. Além disso, a integração é a chance perfeita para construir conexões genuínas entre voluntárias e phomenters. Ela cria aquele sentimento gostoso de comunidade e pertencimento, que é essencial para manter a motivação em alta. E tem mais: durante a integração, incentivamos as voluntárias a darem seu feedback sobre a experiência. Isso nos ajuda a fazer ajustes e melhorias, garantindo que todas se sintam apoiadas e que nossa abordagem esteja sempre alinhada com as expectativas. A seguir alguns comentários sobre o processo:
Por Pamela Lima 20 de março de 2025
Você sabia que o marketing no ambiente digital (ou marketing digital como popularmente ficou conhecido) é uma ferramenta importante para divulgação de serviços, produtos e, também, para a promoção do impacto social? Isso mesmo que você leu! Organizações do Terceiro Setor que investem em uma comunicação eficaz conseguem ampliar a visibilidade de suas ações e engajar o território em suas causas. Deixe a gente explicar melhor. Neste artigo queremos apresentar algumas estratégias práticas e exercícios para auxiliar ONGs, coletivos e projetos sociais na criação de conteúdos assertivos, utilizando algumas práticas de produção de conteúdo, visando garantir maior alcance do público nas mídias sociais. Por que o marketing digital para causas? – Comece pelo porquê Compreender o “porquê” por trás da causa é o primeiro passo para uma comunicação eficiente. Para as organizações do Terceiro Setor, transmitir claramente seus valores e objetivos fortalece a identificação do público com a causa de atuação e gera confiança. Então, vamos ao exercício de reflexão Pergunta: "qual é o propósito principal da nossa organização e como podemos transmiti-lo de forma clara?" Atividade: reúna a equipe para listar os valores e objetivos essenciais de sua causa e definição, em uma frase simples, o “porquê” de sua organização existir. Exemplo prático para uma ONG na área da saúde: Possível resposta: "Nosso propósito é garantir acesso a serviços de saúde de qualidade, promovendo a prevenção e o cuidado contínuo." Forma de transmissão: crie uma frase curta e de efeito, como: "Cuidamos da saúde para transformar vidas”. Sugestões de conteúdos e formatos para o Instagram: Posts no Feed Imagens informativas: use gráficos ou ilustrações que destaquem dados importantes sobre a necessidade de acesso à saúde no território. Exemplo: infográficos com estatísticas sobre a falta de atendimento médico em regiões vulneráveis. Depoimentos de beneficiários: publique fotos e relatos de pessoas que receberam atendimento ou tiveram suas vidas transformadas pelo trabalho da ONG. Exemplo: "Conheça a história da Maria, que encontrou saúde e qualidade de vida através de nossas campanhas contra a hipertensão." Segundo estudos na área, a comunicação dos valores fortalece o engajamento e potencializa o impacto social das iniciativas (ACEVEDO et al. 2020). Como o marketing digital impulsiona a divulgação das ações sociais da sua ONG? Bom, não existe uma resposta certa, mas um primeiro passo importante é “inspirar para transformar”. A presença nas redes sociais permite que as ONGs contem suas histórias de maneira autêntica e humanizada. O uso de conteúdos visuais, vídeos e depoimentos reais torna a mensagem mais próxima e tem o potencial de criar uma conexão genuína com o leitor. Perguntas práticas que podemos fazer para começar a produção de conteúdo: "Que histórias reais podemos contar para demonstrar nossa atuação e os benefícios gerados?" "Como podemos incluir depoimentos dos beneficiários para criar uma conexão emocional?" Exemplo prático para uma ONG na área da saúde: Possível resposta 1: "Podemos contar a história de crianças que, após participarem de nossos programas de educação, demonstram maior interesse pelos estudos e melhor desempenho escolar”. Possível resposta 2: "Podemos incluir depoimentos de pais e educadores que evidenciem a importância dos nossos programas na formação das crianças e na promoção de um ambiente de aprendizado mais inclusivo”. Possibilidade de Post no feed: use imagens que mostrem as crianças em atividades educativas, com legendas que explicam os benefícios dos projetos. Exemplo: uma imagem de uma sala de aula interativa com a legenda: "Descubra como nossas atividades lúdicas despertam o amor pelo aprendizado e transformam o futuro dos pequenos." Essa abordagem, fundamentada na transparência, potencializa a mobilização de seguidores e contribui para a ampliação do alcance das ações (GALLEGO; GALINDO, 2007). O que se espera do marketing digital na divulgação de ações de impacto? É importante sabermos que quando falamos sobre marketing digital e, principalmente, de redes sociais, que o que gera conexão sempre será um bom caminho. E, é preciso lembrar que uma boa estratégia digital é medida pela capacidade de transformar visualizações em engajamento efetivo. Para tanto, é fundamental criar conteúdos que falem diretamente ao público-alvo, evitando jargões e termos técnicos que possam dificultar a compreensão. Mas, afinal, como saber o interesse do público da organização? Exercício de Planejamento de Conteúdo Pergunta: "Quais dúvidas e interesses do nosso público podemos responder em nossos conteúdos?" Atividade: realizar uma pesquisa interna ou consultar as redes sociais para identificar as principais perguntas dos seguidores e, em seguida, criar conteúdos sobre temas relevantes e acessíveis. Exemplo para uma ONG Ambiental: Possíveis resposta em relação às dúvidas: "Como a poluição afeta a biodiversidade local?" "Quais são as melhores práticas de reciclagem para reduzir o impacto ambiental?" "Como posso contribuir para a preservação das matas e florestas em meu território?" O que pode ser relevante a partir da resposta: Dicas práticas para reduzir o consumo de plástico. Informações sobre projetos locais de reflorestamento. Estudos de caso que mostram o impacto positivo de ações de conservação. Sugestões de conteúdos e formatos para Instagram: Posts no feed: crie gráficos simples que explicam, por exemplo, como a reciclagem contribui para a diminuição da poluição e a preservação dos recursos naturais. Estudos indicam que uma linguagem simples e direta amplia o alcance e facilita o engajamento, transformando a comunicação em uma ferramenta de mobilização (SILVA et al., 2017). Exercícios e perguntas adicionais para a produção de conteúdo Para aprofundar a estratégia de comunicação, as ONGs podem utilizar os seguintes questionamentos: Identificação da causa "Quais desafios nossa causa enfrenta e como nossas ações podem contribuir para superá-los?" Engajamento do público "Qual formato de conteúdo (texto, imagem, vídeo) gera mais interação com nosso público?" Resultados e impacto "Como podemos medir o sucesso de nossas campanhas? Quais indicadores refletem o engajamento e a mobilização da comunidade nas redes?" Autenticidade da comunicação "Estamos comunicando nossa mensagem de maneira clara e verdadeira? Como podemos simplificar ainda mais nosso discurso?" A realização de sessões de brainstorming e feedback com a equipe contribui para responder essas questões e aprimorar a estratégia de comunicação. Conclusão: conectando causas e pessoas com marketing digital O marketing digital, quando bem aplicado, tem um potencial muito grande de transformar a divulgação das ações de ONGs nas redes sociais. Essa transformação pode ter objetivos diversos para a organização, como atrair novos doadores, demonstrar ao território a ação ou ganhar mais espaço e reconhecimento pelo trabalho realizado. A combinação de uma comunicação clara, conteúdos de interesse do público e estratégias que conectam gera um ambiente favorável para o engajamento e a mobilização social. E tem pergunta adicional logo abaixo: Pergunta final para reflexão "De que forma nossa comunicação pode evoluir para inspirar e engajar ainda mais pessoas com a nossa causa?" Como vimos, o alinhamento entre estratégia digital para redes sociais e missão social é crucial para a promoção de imagem, engajamento e divulgação de causas em ações de impacto. Referências: As referências que você verá a seguir serviram de inspiração para a criação do conteúdo, e não para a transcrição literal de citações. Ou seja, o texto foi elaborado com base no contexto geral e nas ideias presentes nos artigos, mas não são citações diretas, transcritas na íntegra: SILVA, Vanessa Oliveira da; ALBINO, Andréia Aparecida; DUQUE, Luciano Polisseni; CALDEIRA, Tharcisio Alexandrino. Análise da literatura publicada no Brasil sobre marketing social e marketing de causas sociais. Revista Acadêmica de Administração , v. 10, n. 155-165, 2017. Disponível em:<[ https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/97/83 ]>. Acesso em: 30 jan. 2025. GALLEGO, Angélica Helena Santini Montes; GALINDO, Daniel dos Santos. Criança Esperança: exemplo do marketing de causas sociais, articulado pelas relações públicas. In: V CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 2007, São Paulo. Anais... São Paulo: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2007. Disponível em: <[ http://www.intercom.org.br/papers/outros/hmidia2007/resumos/R0193-1.pdf] >. Acesso em: 30 jan. 2025. ACEVEDO, Claudia Rosa; OLIVEIRA, Leonardo Domingues de; SILVA, Rafael Mendes; CATÃO, Bruno Alves. Percepção de consumidores sobre ações de marketing de causa de empresas privadas . South American Development Society Journal , São Paulo, v. 6, n. 17, p. 40-58, 2020. Disponível em: https://www.sadsj.org/index.php/revista/article/view/300 . Acesso em: 3 fev. 2025.
Por Rodrigo Cavalcante 13 de março de 2025
Este é o último artigo da série “Decisões no Terceiro Setor”. Após discutir sobre as decisões no Terceiro Setor e apresentar um modelo para estruturar as decisões, chegou a hora de apresentar diferentes modelos para a etapa de decisão.
Por Rodrigo Cavalcante 6 de março de 2025
No artigo anterior , discuti sobre algumas das características que diferenciam o Terceiro Setor, além de decisões difíceis que toda liderança de uma ONG enfrenta em sua rotina. E, seguindo a sequência de conteúdos, aaixo compartilharei sobre as etapas de uma decisão com base na literatura do tema. Na liderança de uma organização e na correria do dia a dia, um dos maiores erros que podemos cometer é não estruturar as informações para tomar uma decisão difícil ou importante. O cansaço e/ou a falta de tempo acabam nos levando para um caminho de escolher uma opção pela intuição ou a que soa mais razoável, sem de fato entender nosso verdadeiro objetivo ou explorar e esgotar todas as alternativas possíveis. Uma coisa que aprendi liderando equipes, áreas e uma organização é que nem toda decisão precisa ser tomada no momento em que uma decisão é demandada de você ou de um grupo do qual você faz parte. Com exceção de emergências, quando cada segundo é valioso, podemos pedir mais tempo para refletir melhor sobre as opções levantadas, conversar com outras pessoas e pensar em novas opções. As etapas da tomada e decisão John Hammond, Ralph Keeney e Howard Raiffa apresentam em seu livro “Decisões Inteligentes” um modelo formado por cinco etapas: Problema Qual problema estamos tentando resolver? Muitas vezes partimos para a solução sem delimitar o problema que buscamos solucionar. Objetivo Qual o objetivo principal ao se tomar essa decisão? Alternativas Criação de alternativas viáveis para avaliação posterior Consequências Quais as consequências de cada alternativa? Ao escolher uma alternativa, o que ela gera além de tentar resolver o problema? Concessões (tradeoffs) Dificilmente uma alternativa atenderá todos os objetivos e resolverá completamente um problema difícil e complexo. Ao escolher uma alternativa, do que estou abrindo mão? Decisão Após avaliar e comparar as alternativas, chegou a hora de decidir. Estruturar a decisão seguindo as etapas com certeza ajudará a refletir para uma decisão mais consciente e melhor. Porém, isso não significa um resultado melhor. Aprendemos na prática em nossa vivência nas organizações que não é possível controlar todos os resultados após a tomada de uma decisão. Ou seja, diversos fatores externos influenciarão no resultado final (fenômeno este muito presente na avaliação de impacto, na qual se discute como isolar os fatores externos), seja porque a equipe não executou como o planejado ou porque alguma nova informação (que surgiu após a decisão) evidenciou que a alternativa escolhida não era a melhor. “Uma boa decisão pode gerar um resultado negativo, assim como uma má decisão pode gerar um resultado considerado negativo” Afinal de contas, o que é uma boa decisão? Para Spetzler, Winter e Meyer, uma boa decisão deve atender a seis critérios: Abordagem apropriada para o problema - responde à pergunta ‘o que desejamos resolver?’. Alternativas criativas - o famoso pensar “fora da caixa”. Às vezes, estamos presos nas opções iniciais disponíveis, quando há uma alternativa melhor que ainda não emergiu. Informações relevantes e confiáveis - as informações coletadas apoiam na tomada de decisão e os dados e indicadores utilizados são confiáveis. Raciocínio lógico - é possível demonstrar a lógica da decisão na escolha da alternativa. Valores e concessões delimitados - os valores que embasam a decisão são explícitos e há consciência do que se está abrindo mão ao escolher uma alternativa em detrimento da(s) outra(s). Compromisso com a ação - a decisão direciona para um caminho. Sem ação, não há resultado na maioria das vezes (como quase tudo tem exceção, em algumas decisões há a alternativa de não fazer nada). Portanto, sabendo que não conseguimos controlar 100% dos resultados, nosso foco deve ser em estruturar melhor a decisão para, a partir das informações disponíveis, escolhermos a melhor alternativa. Quando for avaliar uma decisão meses ou anos depois, lembre-se, foi a melhor decisão com as informações disponíveis naquele momento. Não adianta avaliar uma decisão como ruim considerando informações coletadas posteriormente. No próximo artigo e último da série “Decisões no Terceiro Setor” apresentarei alguns modelos de decisão, explorando os contextos em que cada modelo faz mais sentido. Enquanto isso faça a pré-inscrição da sua organização em nosso programas, clicando no link a seguir: https://www.phomenta.com.br/programas-ongs-pre-inscricao Fontes: Decision Quality: Value Creation from Better Business Decisions Smart Choices
Por Rodrigo Cavalcante 24 de fevereiro de 2025
Descubra como as ONGs tomam decisões equilibrando impacto social, sustentabilidade e interesses diversos no Terceiro Setor.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo
Share by: