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Terceiro setor: 10 requisitos para uma organização começar bem

6 de outubro de 2022

Este conteúdo foi produzido por Maria Cecilia Prates

Dia desses, tive uma boa conversa com a fundadora e gestora de uma organização do terceiro setor. Ela me pareceu estar trilhando uma bem-sucedida trajetória, na área do microcrédito para empreendedores em áreas de vulnerabilidade social. Penso que casos como esse devem ser compartilhados, pois podem servir de inspiração e exemplo para gestores sociais em fase inicial de sua organização.


O relato: como começou a organização?


A nossa entrevistada é oriunda de família pobre do sertão da Bahia, “vivíamos em situação de grande vulnerabilidade. Viemos para Belo Horizonte (MG), eu e meus irmãos, em busca de trabalho e estudo e com o sonho de mudar a realidade social da nossa família. Vencemos, trabalhamos muito, estudamos muito, e realizamos os nossos sonhos… Foi daí que nasceu uma vontade enorme de ajudar as pessoas que sonham, que buscam e que não desistem.”


Em BH, ela fez faculdade de administração e atuou por mais de 27 anos como gerente de grandes bancos. Durante esse período, em 2006, incomodada com a situação do “nosso sistema bancário injusto, que destrói o pobre com as suas taxas de juros exorbitantes” e motivada pela leitura do livro ´Muhammad Yunus, o banqueiro dos pobres` escreveu o seu projeto social, com o foco justamente em “ajudar as pessoas desfavorecidas que vivem à margem do sistema financeiro”. Em seguida o guardou na gaveta, porque via que ainda não reunia as condições para implementá-lo. Mas o seu propósito continuou firme.


Anos depois, em 2013, abraçou forte a possibilidade de se inscrever em um ´Programa de desenvolvimento e capacitação para empreendedores sociais` do qual ouviu falar muito bem, e viu aí a possibilidade de desengavetar o seu (bem guardado) projeto. Ao longo daquele Programa, que durou 1 ano e meio, deu vida ao projeto: criou a organização sob o formato de “associação de crédito sem fins lucrativos”, montou a sua estrutura inicial de funcionamento, compatível com os poucos recursos de que dispunha. Sabia que o “seu voo” tinha que começar baixo, para que a organização fosse aos poucos ganhando musculatura…


Foi assim que, no final de 2015, o seu projeto social de microcrédito ficou pronto para deslanchar. Ela também sabia que teria o desafio de conciliar a sua nova função de empreendedora social com a atual função de ´consultora em gestão de investimentos e intermediação de negócios`, fonte do seu sustento e com certa complementaridade com o projeto social, além de mãe de 3 jovens. Mas, tinha consciência de que naquele momento o seu sonho já começava a virar realidade…..


De imediato, ela alocou R$ 10 mil de recursos próprios para o projeto, ou seja, para fazer face às despesas com a abertura da organização e para dar o pontapé inicial no capital a ser emprestado a título de microcrédito.

Até fevereiro de 2020 (início da pandemia, que foi quando ocorreu a nossa conversa), a nossa entrevistada contou que o projeto já havia entrado em 6 comunidades, em geral bairros pobres de BH, ou favelas, ou municípios de baixíssimo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no entorno da capital mineira.


A dinâmica é a seguinte. Em cada um desses locais (um de cada vez), a entrada se dá por meio da aproximação com uma ONG da comunidade, ou com a associação de moradores, ou grupo religioso. Inicialmente é ministrado um curso de ´Educação financeira com empreendedorismo`. Logo a seguir, são identificados interesses e potenciais empreendedores, quando então são formados os grupos de 3 ou 4 ou 5 ou até no máximo 10 empreendedores.


Cada vez que é fechado um grupo de microempreendedores, a nossa gestora sai em busca de um ´investidor anjo`, que doa ou empresta o recurso (em torno de R$ 4 mil a R$ 5 mil) para cada grupo constituído. Em geral, esses investidores são seus amigos ou conhecidos do mercado financeiro, que se prontificam a fazer uma ação social. O “ticket médio” de empréstimo tem sido em torno de R$ 400,00 por empreendedor, em sua maioria para bordadeiras, artesãos, manicures, salão de beleza, doceiras /salgadeiras, costureiras, carrinhos de pipoca ou de churrasco, etc…. O aval (ou a garantia do empréstimo concedido) é sempre solidário, isto é, se um empreendedor do grupo ficar em dificuldades para o reembolso, os demais se comprometem a ir em seu socorro.


Outra linha de atuação nessas comunidades é a oferta de cursos de “Educação financeira pessoal” para crianças e adolescentes. Por exemplo, naquele momento (da entrevista) e em parceria com uma escola municipal de Belo Horizonte, a organização “está entrando” na favela da Pedreira Prado Lopes, uma das áreas de menor IDH da cidade. A intenção será oferecer curso de educação financeira para os alunos daquela escola pública, e atuar também na formação de grupos de empreendedores com os pais/responsáveis e a disponibilização do microcrédito para eles.


A essa altura, o leitor já deve estar se perguntando: de 2016 até hoje, quem constituiu a equipe da organização? Basicamente foi a nossa entrevistada (na condição de fundadora, gestora e animadora) e mais uma equipe de 10 voluntários. Aos voluntários cabe a missão de acompanhar de perto e apoiar na gestão dos negócios de cada grupo de empreendedores – até a devolução total do dinheiro emprestado. Ela e os voluntários se comunicam entre si por meio de grupo de WhatsApp, criado com essa finalidade.


Para finalizar a nossa conversa, perguntei à nossa entrevistada quais as dificuldades enfrentadas pelo projeto social até agora. Para ela, as três principais foram:


  • O projeto não conta com capital, ou funding. Se tivéssemos esse recurso próprio, isso nos permitiria permanecer na comunidade trabalhada – ou seja, “montar e manter uma microunidade na comunidade, com um agente de crédito local, e assim poder acompanhar o dia-a-dia dos empreendedores que já passaram pelo projeto e captar novos empreendedores”;


  • A busca por apoio de uma organização local para entrar na comunidade. Segundo ela, “por incrível que pareça, há sempre vários interesses em jogo, rivalidades entre as próprias organizações da comunidade, e muitas questões políticas envolvidas. Mesmo querendo ajudar a comunidade por meio do microcrédito, muitas vezes somos percebidos como ameaça ao equilíbrio do poder local.”;


  • Só poder contar com o trabalho voluntário. Por mais engajadas que os voluntários sejam, muitas vezes eles acabam faltando aos compromissos assumidos. “É complicado só contar com trabalho voluntário….”.


A seguir, indaguei à nossa entrevistada se ela teria evidências de que o seu trabalho social estaria no caminho certo. Ela foi firme em afirmar que, para cada comunidade apoiada, ela dispõe de indicadores fim, do tipo negócios impulsionados e renda gerada; e também de indicadores meio, como parcerias e recursos atraídos.


Além disso, ela estava também muito empolgada pois acabara de passar por um rigoroso crivo de um banco de desenvolvimento e tinha começado a ser “incubada” com a perspectiva de, inicialmente, conseguir apoiadores financeiros de fôlego. Mais para a frente (daqui a uns dois anos), a sua ideia é se transformar em uma fintech social. Dessa maneira, ela irá conseguir dar escalabilidade ao seu sonho do microcrédito para empreendedores de baixa renda que não conseguem ter acesso ao sistema de crédito dos bancos – nem junto aos tradicionais, nem aos digitais. E não mais ficar restrita a beneficiar algumas poucas comunidades em BH.


O aprendizado: quais são os pré-requisitos?


Dessa conversa com a nossa gestora social, destaco algumas qualidades e pré-requisitos que consegui detectar nessa fase inicial da OSC (organização da sociedade civil) fundada por ela, que me pareceu estar indo muito bem.


1. Motivação forte. Ter um sonho – Por conta do seu passado de menina pobre, a nossa entrevistada alimentou com muita garra o seu desejo de contribuir para um futuro melhor de crianças que, como ela, nascem em um ambiente inóspito e sem oportunidades.


2. Sintonia com o core-business – O foco do projeto social teve sintonia estreita com a área profissional e de competência de sua idealizadora. Veja que ela buscou ficar antenada para identificar possibilidades de impacto social no seu campo de atuação (que é o financeiro), o que ocorreu a partir da leitura do livro do Muhammad Yunus.


3. Persistência – O desenho inicial do projeto social ocorreu em 2006. Tempos depois, em 2013, agarrou, com unhas e dentes, a oportunidade de aprimorá-lo. A implantação do projeto social, via organização do terceiro setor, se deu em 2015. De 2016 a 2019, e de modo cauteloso, foram sendo atendidas algumas comunidades alvo do projeto. No final de 2019, já quase 14 anos depois, surgiu nova oportunidade de aprimoramento do projeto, agora com chance de escalabilidade.


4. Uso parcimonioso das doações – Nesses anos de funcionamento, a nossa entrevistada procurou usar sempre os recursos financeiros conseguidos [ou via doação, ou empréstimo] nas atividades-fim do projeto – microcrédito para os empreendedores. Ou seja, ela procurou fazer a organização girar da forma menos onerosa possível. Note-se que geralmente o investidor (financiador) social não se sente atraído a empatar o seu capital em ativos imobilizados e/ou atividades meio, a não ser em casos imprescindíveis para garantir o funcionamento da organização.


5. Não à autor-remuneração – Como visto, a nossa entrevistada assumiu o seu papel de empreendedora social em paralelo com as suas outras atribuições (garantidoras do seu sustento). Sobretudo em se tratando de organizações do terceiro setor em fase inicial de funcionamento, o fundador não deve buscar inserir desde já, nas despesas da organização, o seu pró-labore de modo a lhe garantir o mesmo padrão de vida de antes, ou até melhor. Nessa fase piloto, é saudável e gera credibilidade o fato de o fundador/idealizador da organização ser percebido como co-partícipe nos riscos da iniciativa social – no nosso caso, a nossa entrevistada doou, além de capital próprio, o seu tempo e experiência.


Lembramos que esta é uma escolha do empreendedor(a) de ONG. Caso ela ou ele deseje, não há impedimentos legais para que dirigentes de organizações da sociedade civil sejam remunerados.


6. Sim à mão de obra voluntária – Sem dúvida, é muito melhor para a organização social poder contar, desde o início, com uma equipe competente e especialmente contratada. Mas, quem trabalha no terceiro setor sabe muito bem como é difícil conseguir mobilizar recursos para financiar mão de obra, ainda mais quando os projetos sociais ainda estão começando, sem garantias de que vai mesmo conseguir avançar. Por isto, e como fez a nossa gestora, é importante saber atrair voluntários para trabalharem no projeto – ou seja, pessoas que já sejam comprometidas com a causa, ou com a comunidade, ou que queiram de fato ajudar. Ela própria deu o treinamento para os 10 voluntários; e depois seguiu contando apenas com eles que, apesar de comprometidos com o projeto, nem sempre podem estar presentes e disponíveis.


7. Parceria sempre com organizações da comunidade – Apesar das dificuldades relatadas por nossa entrevistada com relação à aproximação com as organizações das comunidades, ter essas parcerias é imprescindível para a iniciativa deslanchar bem. Mesmo em casos em que o idealizador do projeto seja da própria comunidade, e que a intenção do projeto seja beneficiá-la, dificilmente a iniciativa vai conseguir deslanchar se não houver um real envolvimento de outras instituições e/ou lideranças da comunidade com o projeto. Pois se o projeto é percebido como caindo de paraquedas na comunidade, ou as pessoas ficam desconfiadas e não se aproximam, ou ´o que` está sendo oferecido raramente consegue atender de modo adequado à demanda local.


8. Avançar gradualmente – Diferente do que ocorre nas organizações lucrativas (e aqui incluo as startups de impacto social), em que a possibilidade do lucro funciona como grande atrativo para os investidores, nas organizações sem fins lucrativos o que atrai os investidores é a possibilidade de produzir transformação social. No caso da nossa entrevistada, vimos como ela foi gradualmente amadurecendo o seu sonho, depois começou pequeno a colocá-lo em prática , foi amadurecendo a experiência e atraindo pequenos investidores sociais, e agora o seu projeto já está com chances de se tornar atraente para investidores maiores. No terceiro setor, há que se ter paciência para alcançar as metas; não se pode querer queimar etapas, sob pena de fracasso certo.


9. Ter indicadores de acompanhamento – Ter maneiras tangíveis e confiáveis para acompanhar e demonstrar a diferença que o projeto social está fazendo na vida dos seus beneficiários é a principal dica para conseguir apoiadores para o projeto social – sejam eles colaboradores, investidores, doadores e parceiros em geral. Se o gestor responsável não consegue apresentar evidências de avanços e resultados sociais, começam a pairar dúvidas quanto à capacidade e efetividade da iniciativa. Daí porque, segundo a nossa entrevistada, para cada apoiador conquistado para uma ação na comunidade, ela se apressa em encaminhar as métricas de acompanhamento. Que podem ser poucas, mas o fundamental é que informem sobre o que está sendo realmente realizado e alcançado.


10. Ir aos poucos construindo o networking de investidores sociais – No relato vimos como a nossa gestora social foi aos poucos construindo e ampliando a rede de investidores para o projeto social, partindo dos seus contatos pessoais. E não basta ampliar o número de investidores, é preciso também ir fidelizando esses investidores, mediante a prestação de contas. Além disso, por mais que ela continue avançando rumo a investidores maiores, vale aqui também a regra de ouro da diversificação (válida para os investimentos / aplicações em geral), que é a de não deixar a iniciativa social dependente de apenas um ou muito poucos financiadores, sob pena de fragilizar a autonomia da organização.


Concluo com um pensamento do filósofo grego Aristóteles, “o começo parece ser muito mais do que a metade do todo”. Ou seja, podemos dizer que entendendo como foi a fase inicial de uma organização social, seremos capazes de prever (com baixa margem de erro) a sua capacidade em vir a ser uma organização sólida e sustentável e produzir os resultados sociais pretendidos.




Maria Cecília Prates é economista e mestre em economia pela UFMG, e doutora em administração pela FGV /Ebape (RJ). A área social sempre foi o foco de suas pesquisas durante o período em que esteve como pesquisadora na FGV, e depois em seus trabalhos de monitoria, consultoria, pesquisa e voluntariado. 


Contato: mcecilia@estrategiasocial.com.br.


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Disponível em:<[ https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/97/83 ]>. Acesso em: 30 jan. 2025. GALLEGO, Angélica Helena Santini Montes; GALINDO, Daniel dos Santos. Criança Esperança: exemplo do marketing de causas sociais, articulado pelas relações públicas. In: V CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 2007, São Paulo. Anais... São Paulo: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2007. Disponível em: <[ http://www.intercom.org.br/papers/outros/hmidia2007/resumos/R0193-1.pdf] >. Acesso em: 30 jan. 2025. ACEVEDO, Claudia Rosa; OLIVEIRA, Leonardo Domingues de; SILVA, Rafael Mendes; CATÃO, Bruno Alves. Percepção de consumidores sobre ações de marketing de causa de empresas privadas . South American Development Society Journal , São Paulo, v. 6, n. 17, p. 40-58, 2020. Disponível em: https://www.sadsj.org/index.php/revista/article/view/300 . Acesso em: 3 fev. 2025.
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